Tipos de bullying são as diferentes formas que a intimidação sistemática pode assumir dentro e fora da escola — da agressão física mais óbvia até formas mais silenciosas, como exclusão social e humilhação on-line.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE, quase 4 em cada 10 adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de bullying — o que torna reconhecer cada forma um passo importante para agir cedo.
Neste guia você entende os 4 tipos de bullying mais comuns — físico, verbal, psicológico e virtual —, o que diz a lei brasileira sobre cada um, e os sinais que ajudam a identificar quando uma criança pode estar envolvida, como vítima ou como agressora.
Por que conhecer os tipos de bullying é importante?
Bullying não é “briga de criança” nem uma fase que passa sozinha. Segundo a pesquisa do IBGE de 2024, 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram ter sofrido bullying, com prevalência maior entre meninas (43,3%) do que entre meninos (37,3%) — e 27,2% relataram ter sido humilhados duas ou mais vezes, o que caracteriza o padrão repetitivo típico do bullying.
Reconhecer as diferentes formas ajuda pais e escola a agir antes que a situação se agrave — especialmente porque formas mais silenciosas, como o bullying psicológico e o virtual, costumam demorar mais para serem percebidas do que uma agressão física visível.
O que diz a lei brasileira sobre os tipos de bullying
A Lei 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), classifica oficialmente 8 formas de bullying em seu Art. 3º: verbal, moral, sexual, social, psicológica, física, material e virtual.
Mais recentemente, a Lei 14.811/2024 foi além e criminalizou a prática, criando o Art. 146-A do Código Penal: bullying presencial passou a ser crime de menor potencial ofensivo, com pena de multa, enquanto o cyberbullying — por ser considerado mais grave, dado o alcance e a permanência do conteúdo on-line — tem pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa.
Para facilitar, este guia agrupa essas formas nas 4 categorias mais reconhecíveis no dia a dia: físico, verbal, psicológico e virtual. A lei também prevê bullying sexual e material como categorias específicas — quando há qualquer suspeita envolvendo conteúdo sexual, o caminho é buscar apoio especializado (escola, conselho tutelar e, se necessário, orientação jurídica) imediatamente, sem esperar outros sinais se acumularem.
Os 4 tipos de bullying mais comuns
Bullying físico
É a forma mais visível: socar, chutar, bater, empurrar — e também costuma vir acompanhada de danos a pertences, como furtar, esconder ou destruir objetos da vítima. Segundo o IBGE, 16,6% dos estudantes relataram ter sido agredidos fisicamente na escola, sendo mais comum entre os meninos (18,6%).
Sinais de alerta:
- Machucados, arranhões ou hematomas sem explicação clara;
- Pertences (material escolar, lanche, roupas) sumindo ou voltando danificados com frequência;
- Idas frequentes ao serviço médico escolar ou queixas físicas recorrentes (dor de cabeça, mal-estar) antes de ir à escola;
- Recusa repentina em ir à escola, sem motivo aparente.
Bullying verbal
Envolve insultar, xingar e colocar apelidos pejorativos de forma repetida. É frequentemente motivado por características de aparência: segundo o IBGE, os principais motivos de humilhação relatados pelos estudantes foram a aparência do rosto ou cabelo (30,2%), a aparência do corpo (24,7%) e a cor ou raça (10,6%) — a maioria veiculada justamente por apelidos e comentários repetidos.
Sinais de alerta:
- Comentários repetidos sobre não gostar de como é ou de como o corpo é — mesmo fora de um contexto de bullying declarado;
- Reação de tristeza ou irritação desproporcional a comentários sobre aparência, peso, cor ou sotaque;
- Evitar situações onde precisa se expor (educação física, apresentações) sem explicar o motivo real.
Bullying psicológico (ou moral)
Reúne o que a lei classifica separadamente como bullying moral (difamar, caluniar, disseminar rumores), social (ignorar, isolar, excluir) e psicológico (perseguir, amedrontar, intimidar, chantagear) — na prática, formas de intimidação que não deixam marca física, mas afetam diretamente a autoestima e o bem-estar emocional.
O conteúdo Saúde mental e emocional infantil: como ajudar seu filho aprofunda os sinais de sofrimento emocional que também aparecem nesses casos.
Sinais de alerta:
- Isolamento social — parar de ser convidado ou de querer participar de atividades em grupo;
- Mudanças de humor, tristeza ou irritabilidade sem uma causa clara;
- Queda no rendimento escolar sem explicação, especialmente se vier junto com desmotivação geral;
- Comentários que sugerem se sentir “invisível” ou “excluído” do grupo.
Bullying virtual (cyberbullying)
O cyberbullying é a forma virtual do bullying, com três características centrais: intenção de perturbar ou humilhar, repetição ao longo do tempo e desequilíbrio de poder entre quem pratica e quem sofre — potencializado pelo alcance e permanência do conteúdo publicado on-line.
Segundo o IBGE, 12,7% dos estudantes relataram ter sofrido bullying por redes sociais ou aplicativos, sendo mais comum entre as meninas (15,2%).
É também o único tipo com pena mais severa na legislação — reclusão de 2 a 4 anos e multa, conforme visto acima — justamente por esse alcance ampliado.
Sinais de alerta, segundo a SaferNet:
- Mudança repentina no uso do celular ou da internet — parar de usar de repente, ou passar a usar escondido;
- Medo ou relutância em mostrar o celular ou compartilhar o que faz on-line;
- Tristeza ou ansiedade visível logo depois de usar redes sociais ou aplicativos de mensagem;
- Evitar a escola ou atividades em grupo sem explicação, combinado com os sinais acima.
Como identificar sinais de bullying, independente do tipo
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que o diálogo entre pais e filhos é fundamental para que a criança ou o adolescente sinta liberdade e coragem para contar o que está acontecendo, e recomenda buscar orientação com o pediatra diante de sinais persistentes.
Se você já identificou sinais de bullying, o conteúdo O que é e como resolver o bullying na escola reúne o passo a passo completo de como agir — da conversa inicial até o envolvimento da escola e, se necessário, apoio psicológico.
Tipos de Bullying
| Tipo | O que é (segundo a lei) | Sinais mais comuns |
| Físico | Socar, chutar, bater; furtar ou destruir pertences | Machucados, pertences danificados, recusa em ir à escola |
| Verbal | Insultar, xingar, apelidar pejorativamente | Comentários repetidos sobre aparência/cor, reação desproporcional a piadas |
| Psicológico | Isolar, excluir, difamar, ameaçar, chantagear | Isolamento social, mudanças de humor, queda no rendimento |
| Virtual | Humilhar, expor ou ameaçar por redes sociais/apps | Mudança no uso do celular, medo de mostrá-lo, tristeza após usar redes sociais |
Fortalecer a autoconfiança e as habilidades sociais também ajuda a prevenir e a lidar melhor com situações de bullying.
Os conteúdos 7 atitudes para estimular a autoconfiança das crianças e Dicas para melhorar a socialização infantil trazem práticas específicas para isso.
Convivência escolar saudável começa em casa e na escola, juntas
Reconhecer o tipo de bullying é o primeiro passo — mas prevenir e lidar bem com essas situações depende de uma parceria consistente entre família e escola, não de uma ação isolada.
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FAQ – Perguntas Frequentes sobre os Tipos de Bullying
1. Bullying verbal é crime?
Sim. Desde a Lei 14.811/2024 (Art. 146-A do Código Penal), bullying presencial — incluindo o verbal — é crime de menor potencial ofensivo, com pena de multa quando não constituir crime mais grave. O cyberbullying tem pena maior: reclusão de 2 a 4 anos e multa.
2. Qual a diferença entre brincadeira entre amigos e bullying?
A diferença está em três características: intenção de humilhar ou machucar, repetição ao longo do tempo e desequilíbrio de poder entre quem faz e quem recebe. Uma brincadeira mútua, sem essas três características, não se caracteriza como bullying.
3. Cyberbullying fora do horário escolar é responsabilidade da escola?
A escola tem responsabilidade de agir quando o cyberbullying envolve alunos e afeta a convivência escolar, mesmo ocorrendo fora do horário de aula. Mas o acompanhamento fora da escola — incluindo eventual registro de ocorrência — cabe também à família.
4. Existe um tipo de bullying mais grave que os outros?
A lei trata o cyberbullying com pena mais severa por causa do alcance e da permanência do conteúdo on-line, mas isso não significa que os outros tipos causem menos sofrimento. Cada criança reage de um jeito, e todos os tipos merecem atenção.
5. O que fazer se meu filho for o agressor, e não a vítima?
Reconhecer a situação sem minimizar e sem só punir é o primeiro passo — muitas vezes quem pratica bullying também está reproduzindo algo que vive ou vê em casa.
Vale buscar apoio da escola e, se necessário, de um psicólogo infantil; o conteúdo-âncora sobre bullying também aborda a reeducação do agressor com mais detalhe.
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