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Família

Tipos de Bullying: físico, verbal, psicológico e virtual — como identificar cada um

Entenda quais são os principais tipos de bullying e como eles podem se manifestar no dia a dia de crianças e adolescentes. Conheça as características do bullying físico, verbal, psicológico e virtual, saiba identificar os principais sinais de alerta e veja o que a legislação brasileira diz sobre essas práticas. Um guia para ajudar pais e responsáveis a reconhecer situações de bullying e fortalecer a parceria entre família e escola.

Ana Lencioni
15 de set. de 2026
7 min de leitura
Tipos de Bullying: físico, verbal, psicológico e virtual — como identificar cada um

Tipos de bullying são as diferentes formas que a intimidação sistemática pode assumir dentro e fora da escola — da agressão física mais óbvia até formas mais silenciosas, como exclusão social e humilhação on-line.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE, quase 4 em cada 10 adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de bullying — o que torna reconhecer cada forma um passo importante para agir cedo.

Neste guia você entende os 4 tipos de bullying mais comuns — físico, verbal, psicológico e virtual —, o que diz a lei brasileira sobre cada um, e os sinais que ajudam a identificar quando uma criança pode estar envolvida, como vítima ou como agressora.

Por que conhecer os tipos de bullying é importante?

Bullying não é “briga de criança” nem uma fase que passa sozinha. Segundo a pesquisa do IBGE de 2024, 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram ter sofrido bullying, com prevalência maior entre meninas (43,3%) do que entre meninos (37,3%) — e 27,2% relataram ter sido humilhados duas ou mais vezes, o que caracteriza o padrão repetitivo típico do bullying.

Reconhecer as diferentes formas ajuda pais e escola a agir antes que a situação se agrave — especialmente porque formas mais silenciosas, como o bullying psicológico e o virtual, costumam demorar mais para serem percebidas do que uma agressão física visível.

O que diz a lei brasileira sobre os tipos de bullying

A Lei 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), classifica oficialmente 8 formas de bullying em seu Art. 3º: verbal, moral, sexual, social, psicológica, física, material e virtual.

Mais recentemente, a Lei 14.811/2024 foi além e criminalizou a prática, criando o Art. 146-A do Código Penal: bullying presencial passou a ser crime de menor potencial ofensivo, com pena de multa, enquanto o cyberbullying — por ser considerado mais grave, dado o alcance e a permanência do conteúdo on-line — tem pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa.

Para facilitar, este guia agrupa essas formas nas 4 categorias mais reconhecíveis no dia a dia: físico, verbal, psicológico e virtual. A lei também prevê bullying sexual e material como categorias específicas — quando há qualquer suspeita envolvendo conteúdo sexual, o caminho é buscar apoio especializado (escola, conselho tutelar e, se necessário, orientação jurídica) imediatamente, sem esperar outros sinais se acumularem.

Os 4 tipos de bullying mais comuns

Bullying físico

É a forma mais visível: socar, chutar, bater, empurrar — e também costuma vir acompanhada de danos a pertences, como furtar, esconder ou destruir objetos da vítima. Segundo o IBGE, 16,6% dos estudantes relataram ter sido agredidos fisicamente na escola, sendo mais comum entre os meninos (18,6%).

Sinais de alerta:

  • Machucados, arranhões ou hematomas sem explicação clara;
  • Pertences (material escolar, lanche, roupas) sumindo ou voltando danificados com frequência;
  • Idas frequentes ao serviço médico escolar ou queixas físicas recorrentes (dor de cabeça, mal-estar) antes de ir à escola;
  • Recusa repentina em ir à escola, sem motivo aparente.

Bullying verbal

Envolve insultar, xingar e colocar apelidos pejorativos de forma repetida. É frequentemente motivado por características de aparência: segundo o IBGE, os principais motivos de humilhação relatados pelos estudantes foram a aparência do rosto ou cabelo (30,2%), a aparência do corpo (24,7%) e a cor ou raça (10,6%) — a maioria veiculada justamente por apelidos e comentários repetidos.

Sinais de alerta:

  • Comentários repetidos sobre não gostar de como é ou de como o corpo é — mesmo fora de um contexto de bullying declarado;
  • Reação de tristeza ou irritação desproporcional a comentários sobre aparência, peso, cor ou sotaque;
  • Evitar situações onde precisa se expor (educação física, apresentações) sem explicar o motivo real.

Bullying psicológico (ou moral)

Reúne o que a lei classifica separadamente como bullying moral (difamar, caluniar, disseminar rumores), social (ignorar, isolar, excluir) e psicológico (perseguir, amedrontar, intimidar, chantagear) — na prática, formas de intimidação que não deixam marca física, mas afetam diretamente a autoestima e o bem-estar emocional.

O conteúdo Saúde mental e emocional infantil: como ajudar seu filho aprofunda os sinais de sofrimento emocional que também aparecem nesses casos.

Sinais de alerta:

  • Isolamento social — parar de ser convidado ou de querer participar de atividades em grupo;
  • Mudanças de humor, tristeza ou irritabilidade sem uma causa clara;
  • Queda no rendimento escolar sem explicação, especialmente se vier junto com desmotivação geral;
  • Comentários que sugerem se sentir “invisível” ou “excluído” do grupo.

Bullying virtual (cyberbullying)

O cyberbullying é a forma virtual do bullying, com três características centrais: intenção de perturbar ou humilhar, repetição ao longo do tempo e desequilíbrio de poder entre quem pratica e quem sofre — potencializado pelo alcance e permanência do conteúdo publicado on-line.

Segundo o IBGE, 12,7% dos estudantes relataram ter sofrido bullying por redes sociais ou aplicativos, sendo mais comum entre as meninas (15,2%).

É também o único tipo com pena mais severa na legislação — reclusão de 2 a 4 anos e multa, conforme visto acima — justamente por esse alcance ampliado.

Sinais de alerta, segundo a SaferNet:

  • Mudança repentina no uso do celular ou da internet — parar de usar de repente, ou passar a usar escondido;
  • Medo ou relutância em mostrar o celular ou compartilhar o que faz on-line;
  • Tristeza ou ansiedade visível logo depois de usar redes sociais ou aplicativos de mensagem;
  • Evitar a escola ou atividades em grupo sem explicação, combinado com os sinais acima.

Como identificar sinais de bullying, independente do tipo

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que o diálogo entre pais e filhos é fundamental para que a criança ou o adolescente sinta liberdade e coragem para contar o que está acontecendo, e recomenda buscar orientação com o pediatra diante de sinais persistentes.

Se você já identificou sinais de bullying, o conteúdo O que é e como resolver o bullying na escola reúne o passo a passo completo de como agir — da conversa inicial até o envolvimento da escola e, se necessário, apoio psicológico.

Tipos de Bullying

TipoO que é (segundo a lei)Sinais mais comuns
FísicoSocar, chutar, bater; furtar ou destruir pertencesMachucados, pertences danificados, recusa em ir à escola
VerbalInsultar, xingar, apelidar pejorativamenteComentários repetidos sobre aparência/cor, reação desproporcional a piadas
PsicológicoIsolar, excluir, difamar, ameaçar, chantagearIsolamento social, mudanças de humor, queda no rendimento
VirtualHumilhar, expor ou ameaçar por redes sociais/appsMudança no uso do celular, medo de mostrá-lo, tristeza após usar redes sociais

Fortalecer a autoconfiança e as habilidades sociais também ajuda a prevenir e a lidar melhor com situações de bullying.

Os conteúdos 7 atitudes para estimular a autoconfiança das crianças e Dicas para melhorar a socialização infantil trazem práticas específicas para isso.

Convivência escolar saudável começa em casa e na escola, juntas

Reconhecer o tipo de bullying é o primeiro passo — mas prevenir e lidar bem com essas situações depende de uma parceria consistente entre família e escola, não de uma ação isolada.

Baixe gratuitamente o Guia da Convivência Escolar da Ensina Mais e descubra como fortalecer essa parceria e apoiar seu filho em situações de bullying, em qualquer uma das suas formas.

Baixe gratuitamente o Guia da Convivência Escolar da Ensina Mais e descubra como fortalecer a parceria entre família e escola em cada etapa do desenvolvimento emocional do seu filho.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre os Tipos de Bullying

1. Bullying verbal é crime?

Sim. Desde a Lei 14.811/2024 (Art. 146-A do Código Penal), bullying presencial — incluindo o verbal — é crime de menor potencial ofensivo, com pena de multa quando não constituir crime mais grave. O cyberbullying tem pena maior: reclusão de 2 a 4 anos e multa.

2. Qual a diferença entre brincadeira entre amigos e bullying?

A diferença está em três características: intenção de humilhar ou machucar, repetição ao longo do tempo e desequilíbrio de poder entre quem faz e quem recebe. Uma brincadeira mútua, sem essas três características, não se caracteriza como bullying.

3. Cyberbullying fora do horário escolar é responsabilidade da escola?

A escola tem responsabilidade de agir quando o cyberbullying envolve alunos e afeta a convivência escolar, mesmo ocorrendo fora do horário de aula. Mas o acompanhamento fora da escola — incluindo eventual registro de ocorrência — cabe também à família.

4. Existe um tipo de bullying mais grave que os outros?

A lei trata o cyberbullying com pena mais severa por causa do alcance e da permanência do conteúdo on-line, mas isso não significa que os outros tipos causem menos sofrimento. Cada criança reage de um jeito, e todos os tipos merecem atenção.

5. O que fazer se meu filho for o agressor, e não a vítima?

Reconhecer a situação sem minimizar e sem só punir é o primeiro passo — muitas vezes quem pratica bullying também está reproduzindo algo que vive ou vê em casa.

Vale buscar apoio da escola e, se necessário, de um psicólogo infantil; o conteúdo-âncora sobre bullying também aborda a reeducação do agressor com mais detalhe.

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